terça-feira, 2 de julho de 2013

CONSERVANTES x COMIDA DE VERDADE




Ainda sobre o bolo “supostamente” integral da postagem anterior, passei a refletir sobre a quantidade de conservantes adicionadas a este e outros alimentos.
Quando fazemos um bolo caseiro – caseiro mesmo, não com a massa da caixinha – quando tempo dura? Uma semana e meia no máximo fora da geladeira?
E quanto duram estes bolos prontos?

Aquele do qual utilizei o rótulo foi adquirido na semana passada e só vencerá em outubro – mínimo 4 meses de validade!
O mesmo raciocínio podemos usar para o panetone. Daqui a pouco, a partir de outubro, este produto já terá lugar de destaque nas prateleiras dos supermercados, e até março do ano que vem o veremos em grandes promoções.
Pensem ainda nos enlatados. Milho e ervilha são alimentos perecíveis, e, no entanto, na lata duram 2 ANOS!
Além dos conservantes a indústria utiliza a gordura trans, sal e muito açúcar, que também aumentam o tempo de prateleira.


Comida de verdade estraga, embolora, pois contém nutrientes essenciais a todas as formas de vida.

 
Dessa forma, é um erro também deixar de comprar uma verdura por apresentar algum bichinho.
Se aquela lagarta conseguiu sobreviver ali, significa que poucos pesticidas foram utilizados.

Muitas vezes a fruta, verdura ou legume maior e mais bonito aos olhos, é aquele a que mais foram acrescidos agrotóxicos e conservadores.

Claro que você deve higienizar muito bem, e com critério, pois as lagartas podem causar doenças, mas não menosprezem estes alimentos pela presença delas.
Pense nisso.



segunda-feira, 1 de julho de 2013

Bolo SUPOSTAMENTE integral – mais açúcar e mais gordura




Estava eu no supermercado quando observei um bolo que trazia a alegação de “integral”. Além dessa, havia também a alegação de “0g de gordura trans” – tão comum nos rótulos atuais...
Não contente com o apelo para o saudável, o rótulo ainda destaca a presença de castanha do Pará e canela no produto.

Produto aparentemente saudável e gostoso.
Ledo engano...

Isso eu decobri lendo a lista de ingredientes. Ao fazê-lo, pude verificar não somente que o bolo NÃO é integral, como possui mais açúcar e gordura que propriamente farinha de trigo integral!!

Transcrevi a lista de ingredientes do rótulo do bolo SUPOSTAMENTE integral para vocês verem:

"Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, ovos, açúcar, açúcar mascavo, gordura vegetal, farinha de trigo integral, castanha do Pará, glicose de milho, amido de milho, farinha de aveia, amido modificado, abóbora in natura, leite em pó integral, fécula de mandioca, sal light, canela em pó, licor de amareto, fermentos químicos pirofosfato ácido de sódio e bicarbonato de sódio, emulsificante mono e diglicerídeos de ácidos graxos e aromatizante".

Percebam que a farinha de trigo integral aparece apenas em 6° lugar na lista, provando que o bolo não é integral. Para ser considerado integral o bolo deveria ser constituído de, no mínimo, 50% de farinha integral. Caso fosse, este ingrediente seria o primeiro da lista, uma vez que a ordem com que os ingredientes são listados segue ordem decrescente de proporção, como vocês aprenderam nesta postagem:

Sendo assim, podemos concluir que mais do que farinha integral, o que este produto contém é açúcar e gordura. Além de “açúcar” e “açúcar mascavo” estarem em maior proporção no produto que a própria farinha, há ainda “glicose de milho” que é também um tipo de açúcar.


Outro ponto a destacar é a presença de “gordura vegetal”. Este termo indica 2 possibilidades: gordura trans – o que contradiz a alegação da embalagem “0 trans” – ou gordura de palma, que é tão prejudicial quanto a gordura trans.

O que mais vemos hoje nas prateleiras são produtos autodenominados “0 trans”, mas dificilmente esta informação é verdadeira, e quando é, a gordura trans foi substituída por outra gordura igualmente maléfica.

Chegamos à triste conclusão de que um produto que traz alegações de propriedades nutricionais potencialmente benéficas é na verdade fonte de gorduras que fazem mal ao coração, além de considerável quantidade de açúcar e quase nada de fibras...

Fiquem atentos consumidores, se necessário levem uma lupa ao supermercado, mas não permitam ser enganados. A indústria está se valendo da falta de conhecimento da população para estampar nos rótulos alegações potencialmente enganosas.

Desconfiem sempre. Em termos de rótulos de alimentos, todo cuidado é pouco, e aqui no blog você aprende a interpretar algumas informações escondidas nas entrelinhas.


terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O BLOG NA PRÁTICA



Olá leitores ávidos por conhecimento em alimentação! Estou muito feliz por ter chegado aos 88 seguidores! Em pouco mais de 1 ano, não sendo uma blogger muito frequente devido ao tempo limitado, fico muito contente com a presença de todos vocês!
            Vim compartilhar a experiência que estou tendo ao colocar em prática os conhecimentos e dicas do blog. Transformei as postagens sobre rótulos de alimentos em palestra para todas as idades. Ensino a interpretar as informações contidas nas embalagens dos produtos, para não cair em algumas “pegadinhas”. Levo uma pasta com vários rótulos e também os displays com as quantidades de açúcar, gordura e sal nos alimentos, que usei nos meus vídeos para o youtube, tão conhecidos de vocês.
            Como, ao final da palestra, percebi que os participantes faziam uma expressão de: “E agora, o que eu vou comer?”, incluí ao final uma degustação deliciosa de lanches saudáveis. O último cardápio que fiz foi composto por:
Torradas integrais com patê de ricota
Suco de abacaxi com couve
 Banana assada com canela – que os leitores já conhecem

 http://www.andreiamouranutri.blogspot.com.br/2012/04/lanches-saudaveis-mais-opcoes.html

            Forneço um folheto com os principais pontos a se verificar nos rótulos, todas as receitas que degustamos e mais algumas dicas de lanches saudáveis que vocês viram em primeira mão aqui no blog.

            Nem preciso falar que o retorno é maravilhoso! Percebo que a grande maioria comete erros alimentares não por falta de interesse, mas por acreditar serem saudáveis produtos que na verdade não são. Debatemos sobre o teor de açúcar, gordura e sal nos alimentos, a publicidade abusiva destes produtos e as soluções viáveis para termos uma vida saudável.
            Agradeço o carinho de todos os que participam e contribuem com seus comentários, sugestões e agradecimentos pelas informações! Aprendo demais com vocês também!
            O mais gratificante é ver pessoas que nunca provam alimentos saudáveis, por acreditarem que não são gostosos, repetindo todas as preparações! Tomo o cuidado de não revelar que no suco há couve, por receio de alguns não provarem, principalmente as crianças. Mas elas sempre surpreendem e são as que mais gostam! Elas ainda não têm os preconceitos alimentares de muitos adultos. Na palestra da última semana foi uma senhora que me revelou: “Se você tivesse falado que no suco havia couve eu não teria provado. Mas A-D-O-R-E-I, ficou delicioso! Vou fazer em casa!”.       Há maior felicidade para uma nutricionista do que ouvir um depoimento assim?
            Um beijo para todos que aprenderam também a amar a alimentação saudável!

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Saúde, Nutrição e Psicologia

Venho dividir com vocês um trabalho maravilhoso que a minha amiga Elisabete, também nutricionista, faz na Alimentação Escolar da Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos. Ela uniu sua atuação à de um psicólogo para realizarem juntos palestras abordando alimentação saudável e o impacto da publicidade de alimentos no consumo alimentar das crianças. Muito gentilmente ela elaborou uma pauta para que conheçamos um pouco deste trabalho tão importante.




SAÚDE, NUTRIÇÃO E PSICOLOGIA

Desde o nascimento a criança aprende a se alimentar por meio das experiências vivenciadas por ela. Essas experiências são influenciadas por fatores ambientais, culturais e psicossociais.

Os pais exercem papel determinante neste processo de aprendizado e podem influenciar de maneira positiva ou negativa conforme as estratégias utilizadas para fazer seus filhos se alimentarem.

Por outro lado, entra a mídia que bombardeia todos os dias propagandas de alimentos de alta densidade calórica e de baixo valor nutritivo, além de também atrair o público adulto com a venda de praticidade e conveniência de certos alimentos, o que é preocupante uma vez que os pais ou responsáveis deveriam exercer o papel de mediadores diante do público infantil que não tem capacidade de discernimento para formar opinião própria.

Preocupados com esta realidade surgiu um trabalho realizado por mim e pelo psicólogo, intitulado "Saúde, Nutrição e Psicologia" - Refletindo o comportamento alimentar.

Realizamos este trabalho em centros de educação infantil da Prefeitura Municipal de Ferraz de Vasconcelos. Em nossa palestra abordamos a importância da formação do bom hábito alimentar desde a mais tenra idade.

No que concerne à nutrição é enfatizado a importância de compor um cardápio balanceado, dando ênfase ao proposto na pirâmide alimentar, respeitando os ciclos da vida.

O psicólogo trabalha bem a questão da influência do marketing sobre o subconsciente das pessoas e provoca uma visão crítica com relação ao conteúdo das propagandas de alimentos. Chama a atenção para as embalagens coloridas com figuras atraentes e comenta sobre a manipulação do marketing que utiliza-se de recursos como imagens de personagens animados, celebridades, uso de brindes para atingir em "cheio" o público infantil.

Embora os impactos do projeto serão observados efetivamente em médio prazo por meio de avaliação nutricional, já podemos colher alguns frutos dessa intervenção. Gestores de algumas unidades escolares relataram mudanças do comportamento alimentar de algumas crianças que não consumiam legumes e frutas com frequência e que estavam mais estimuladas a experimentar.

De acordo com os gestores, as mudanças de hábito passaram a ser incentivadas pelas próprias famílias e se estendeu às creches. Algumas famílias relataram que substituíram salgadinhos e petiscos por produtos mais nutritivos de acordo com o que aprenderam na palestra.

Este retorno está sendo muito gratificante e importante, pois a mudança comportamental alimentar na fase de desenvolvimento infantil pode trazer bons resultados e refletir positivamente na fase adulta evitando assim patologias decorrentes da má alimentação na infância.



Referências:

RAMOS, M.; STEIN, L.M. Desenvolvimento do comportamento alimentar infantil. Jornal de Pediatria.

ISHIMOTO, E. Y.; NACIF, M. A. L. Propaganda e Marketing na informação nutricional. Ed. Brasil Alimentos

sábado, 1 de dezembro de 2012

Açúcar no refrigerante – experimento

Fiz uma experiência para verificar de outra forma a quantidade de açúcar no refrigerante. Fervi 1litro de um refrigerante de cola, até que toda a água fosse evaporada. Vejam nos vídeos abaixo o produto que sobrou.


Este produto é impressionante. Ouço nas palestras depoimentos de pessoas que utilizam refrigerante de cola para desentupir pia. Imaginem o que faz com nosso estômago...

     

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Mudanças na rotulagem de alimentos - Programa Sem Censura

Segunda-feira (26/11/12) estive mais uma vez no programa "Sem Censura" com apresentação da jornalista Leda Nagle, na TV Brasil. Desta vez para abordar a nova legislação da ANVISA – a RDC 54 de 12 de novembro de 2012 - que regulamenta critérios para a Informação Nutricional Complementar nos rótulos de alimentos. A nova resolução traz algumas mudanças para que os produtos sejam considerados “fonte de”, “rico em”, “alto teor de”; “zero”, “baixo teor de”, “reduzido em”...
As mudanças objetivam tornar mais claras as informações dos rótulos inclusive dos alimentos diet e light, para que não sejam omitidas informações importantes levando o consumidor ao erro. Confiram!


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

O que a nutricionista come?

Comentário recentemente postado no youtube me rendeu bom tempo de reflexão. Sugeriram-me fazer um vídeo falando sobre a minha alimentação, descrevendo tudo o que eu como em 1 dia.
A partir deste comentário vejo o quanto muitas pessoas imaginam ser impossível seguir uma alimentação saudável, livre de produtos ultraprocessados; e portanto, necessitam de um modelo a ser seguido, mostrando que é real e palpável.
Não o faria por inúmeros motivos, o principal deles é porque não existe tal modelo,  cardápio único ideal a todas as pessoas, tudo tem que estar dentro das possibilidades, necessidades e preferências de cada indivíduo. Pretendo abordar bem este tema numa próxima pauta.
Mas hoje, que aproveitei o feriadão para cuidar ainda mais da minha saúde, fiquei tentada a dividir com vocês o presente que dei para mim. Vejam meu cardápio até agora:

Café da manhã: Mousse de banana com cacau, aveia, linhaça e gergelim

Colação (lanche da manhã): 1 fatia suculenta de melancia

Almoço: Arroz integral com legumes e 1 pé inteiro de alface orgânico da horta!


Delícia! Que prazer, isso é bem-estar! Um banho de dentro para fora:

- O ômega 3 da linhaça, o triptofano da banana e a vitamina B6 da aveia melhorando meu humor;
- O licopeno da melancia e os flavonóides do cacau destruindo os radicais livres e protegendo a minha pele;
- As fibras da alface, da aveia, da linhaça, do gergelim, do arroz integral, dos legumes + os frutooligossacarídeos da banana varrendo as toxinas e nutrindo minha microbiota benéfica;
- As vitaminas e minerais de tudo isto nutrindo todo meu organismo, reforçando meu sistema imunológico e fazendo tudo funcionar harmonicamente, como numa orquestra!

Todos os meus órgãos agradecem o presente e se manifestam pela pele, cabelos, bom humor e vitalidade!

Amo muito tudo ISTO – prazer que supera qualquer palatabilidade momentânea de gordura trans, açúcar refinado e sódio!

Ressalto que este não é um modelo a ser seguido. Apenas quis dividir o quanto me faz feliz ter uma alimentação saudável. Tentei ilustrar um pouco do que ela é capaz de nos proporcionar!

Saúde! Boa semana para todos nós!