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segunda-feira, 1 de julho de 2013

Bolo SUPOSTAMENTE integral – mais açúcar e mais gordura




Estava eu no supermercado quando observei um bolo que trazia a alegação de “integral”. Além dessa, havia também a alegação de “0g de gordura trans” – tão comum nos rótulos atuais...
Não contente com o apelo para o saudável, o rótulo ainda destaca a presença de castanha do Pará e canela no produto.

Produto aparentemente saudável e gostoso.
Ledo engano...

Isso eu decobri lendo a lista de ingredientes. Ao fazê-lo, pude verificar não somente que o bolo NÃO é integral, como possui mais açúcar e gordura que propriamente farinha de trigo integral!!

Transcrevi a lista de ingredientes do rótulo do bolo SUPOSTAMENTE integral para vocês verem:

"Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, ovos, açúcar, açúcar mascavo, gordura vegetal, farinha de trigo integral, castanha do Pará, glicose de milho, amido de milho, farinha de aveia, amido modificado, abóbora in natura, leite em pó integral, fécula de mandioca, sal light, canela em pó, licor de amareto, fermentos químicos pirofosfato ácido de sódio e bicarbonato de sódio, emulsificante mono e diglicerídeos de ácidos graxos e aromatizante".

Percebam que a farinha de trigo integral aparece apenas em 6° lugar na lista, provando que o bolo não é integral. Para ser considerado integral o bolo deveria ser constituído de, no mínimo, 50% de farinha integral. Caso fosse, este ingrediente seria o primeiro da lista, uma vez que a ordem com que os ingredientes são listados segue ordem decrescente de proporção, como vocês aprenderam nesta postagem:

Sendo assim, podemos concluir que mais do que farinha integral, o que este produto contém é açúcar e gordura. Além de “açúcar” e “açúcar mascavo” estarem em maior proporção no produto que a própria farinha, há ainda “glicose de milho” que é também um tipo de açúcar.


Outro ponto a destacar é a presença de “gordura vegetal”. Este termo indica 2 possibilidades: gordura trans – o que contradiz a alegação da embalagem “0 trans” – ou gordura de palma, que é tão prejudicial quanto a gordura trans.

O que mais vemos hoje nas prateleiras são produtos autodenominados “0 trans”, mas dificilmente esta informação é verdadeira, e quando é, a gordura trans foi substituída por outra gordura igualmente maléfica.

Chegamos à triste conclusão de que um produto que traz alegações de propriedades nutricionais potencialmente benéficas é na verdade fonte de gorduras que fazem mal ao coração, além de considerável quantidade de açúcar e quase nada de fibras...

Fiquem atentos consumidores, se necessário levem uma lupa ao supermercado, mas não permitam ser enganados. A indústria está se valendo da falta de conhecimento da população para estampar nos rótulos alegações potencialmente enganosas.

Desconfiem sempre. Em termos de rótulos de alimentos, todo cuidado é pouco, e aqui no blog você aprende a interpretar algumas informações escondidas nas entrelinhas.


domingo, 17 de junho de 2012

Cuidado: “0 de gordura trans” pode não significar que de fato não contenha




            Como eu havia prometido, trouxe uma pauta sobre gordura trans.

            Este tipo de gordura é obtido por processamento da indústria, que transforma óleo em gordura sólida para torná-lo mais estável à cocção. 
       O problema é que para isso, o óleo, uma fonte de gordura considerada boa (insaturada), é transformado, por processo denominado “hidrogenação”, em gordura do tipo “trans”, que é maléfica.
           
            Os principais efeitos à saúde do consumo de gordura trans são:

-        Aumento do colesterol LDL (colesterol “ruim”)

-        Diminuição do HDL (colesterol “bom”)

-        Aumento de fatores inflamatórios

-        Aumento do risco de doença cardiovascular


            Como vimos na postagem anterior, muitas vezes, os valores da tabela de composição dos rótulos dos produtos referem-se a uma porção muito menor do que a que você ingere. O pior de se utilizar uma quantidade bem inferior ao pacote todo para o cálculo de nutrientes, é que a gordura trans pode ficar mascarada. Ao verificar o rótulo, o consumidor pode acreditar que em certos produtos não há gordura trans, pois consta “0g” na tabela de informação nutricional, mas ainda assim o produto pode conter. O erro acontece porque, em alguns casos, a quantidade de gordura trans em 1 porção é pequena, e por esse motivo não há obrigatoriedade da  declaração no rótulo. Porém, quando se consome mais do que a porção discriminada pelo fabricante (o que é muito provável que aconteça), pode haver valores consideráveis dessa gordura.
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            Mas, não se desesperem. Existe uma forma de ter certeza da presença da gordura trans! É só verificar na lista de ingredientes que consta na embalagem a presença de alguns destes dizeres: 

 “gordura vegetal”, ou “gordura vegetal hidrogenada” – significam trans.


            Observe também a presença de “gordura de palma”. A indústria vem substituindo a trans por este outro tipo de gordura, que também não é bom. É quase como trocar 6 por meia dúzia...

            Mais uma informação importante a se observar nos rótulos dos produtos!



REFERÊNCIAS:

CHIARA, Vera Lucia; SILVA, Rosilaine; JORGE, Renata  e  BRASIL, Ana Paula. Ácidos graxos trans: doenças cardiovasculares e saúde materno-infantil. Rev. Nutr. [online]. 2002, vol.15, n.3, pp. 341-349. ISSN 1415-5273.
MARTIN, Clayton Antunes; MATSHUSHITA, Makoto  and  SOUZA, Nilson Evelázio de. Ácidos graxos trans: implicações nutricionais e fontes na dieta. Rev. Nutr. [online]. 2004, vol.17, n.3, pp. 351-359. ISSN 1415-5273.