Mostrando postagens com marcador semente de linhaça. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador semente de linhaça. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Linhaça – perguntas que não querem calar




Depois das explanações sobre a linhaça, trago as "PERGUNTAS QUE NÃO QUEREM CALAR":

Qual é a melhor: a linhaça marrom ou a dourada?


            Para quem não conhece, existem 2 variedades da semente: a dourada e a marrom, que são praticamente idênticas nas suas propriedades nutricionais e terapêuticas, com discreta vantagem para a variedade marrom quanto ao teor de ômega 3.
            Conclusão: ambas são boas, consuma a que estiver mais acessível.

Quanto devo consumir?


            Apesar de não estar estabelecido um consumo diário de semente ou farinha de linhaça, parece plausível o  consumo de 2 colheres de sopa (60g) - quantidade que pode contribuir para alcançar as recomendações diárias de ômega 3, fibras alimentares, vitaminas e minerais.

Qual a melhor forma: farinha, semente ou óleo?



            Os 3 possuem benefícios, a melhor forma vai depender do objetivo. 
        Em geral, recomendo o consumo da farinha ou da semente  (batida no liquidificador), que são formas integrais, pois com o óleo não aproveitamos a linhaça em sua totalidade.
            O mais importante é que a semente não seja ingerida inteira, pois sua casca é muito rígida, não sendo rompida pelas enzimas intestinais. Isto não representa um risco, porém, se a casca não for quebrada não será possível retirar o ômega 3, as vitaminas e minerais contidos na semente, que será eliminada inteira.
              O melhor é consumir a linhaça triturada no liquidificador na forma de farinha ou batida com sucos, vitaminas, bolos.

A farinha de linhaça comercializada é boa?



            Recomendo aos pacientes comprarem a semente de linhaça inteira e fazerem a farinha em casa, pois algumas marcas, com o objetivo de impedir a rancificação do produto, retiram o ômega 3, deixando apenas a fibra. Outras, utilizam embalagem plástica transparente para armazenar, permitindo que o ômega 3 oxide em exposição à luz.


Triturando em casa garantimos a integridade da semente.

É muito simples fazer a farinha de linhaça:
-        Espalhe a  semente de linhaça em um fôrma – não precisa untar. Coloque uma camada fina de linhaça.
-        Leve ao forno pré-aquecido e deixe por aproximadamente 8 minutos - até que a semente fique levemente escurecida.
-        Triture no  liquidificador até formar a farinha.
-        Armazene em pote fechado na geladeira por até 5 dias. 

            Você pode adicionar a farinha de linhaça a sucos, vitaminas, iogurte, mingaus, sopas, caldo de feijão, pães, bolos.

            Bom apetite e muita saúde!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Linhaça e prevenção do câncer



         

   Venho compartilhar com vocês uma conquista: a publicação de um artigo científico, fruto do meu TCC, juntamente com meus colegas Rogério Frade, Igor Felício Gomes e com a professora orientadora Drª Fabiana Poltronieri. Nosso artigo, intitulado: Papel dos compostos bioativos da linhaça (Linum usitatissimum L.) no câncer, foi publicado na edição de jan/fev da revista Nutrição Brasil.
            Sou apaixonada por alimentos funcionais, e a linhaça em especial, encantou todos nós.

            Trago um pouco do que pesquisamos a respeito desta semente na prevenção do câncer.

            A linhaça possui 4 principais substâncias que podem estar relacionadas a este efeito: omega-3, lignanas, fibras alimentares e vitamina E. Entre os mecanismos relatados estão: ação antioxidante, anti-inflamatória e antiestrogênica.

ÔMEGA 3 - ação antioxidante e anti-inflamatória
            A linhaça é a fonte vegetal mais rica em ômega-3, contendo até 5,5 vezes mais deste óleo que outras grandes fontes como as nozes e o óleo de canola.
            O ω-3 possui ação anti-inflamatória e antioxidante. Sabe-se que o aumento da inflamação e de fatores oxidativos são críticos para a gênese e progressão do câncer.
            Apenas 1 colher de sopa de linhaça (30g) possui ômega 3 em quantidade  4 vezes superior à ingestão mínima recomendada.

LIGNANAS – antiestrogênicas e antioxidantes
            Estudo mostrou que o consumo de farinha de linhaça reduziu o crescimento de células cancerosas mamárias implantadas em camundongos fêmeas em menos de 8 semanas de tratamento  (LICHTENTHALER, 2009).
            Resultados como este foram relacionados, entre outros mecanismos, à ação de um composto  denominado diglicosídeo secoisolariciresinol (SDG). A linhaça é a maior fonte vegetal de SDG, responsável por diminuir fatores bioquímicos que predispõe ao câncer. Esta substância dá origem a 2 outras com ação antioxidante e antiestrogênica: o enterodiol e a enterolactona. Ter ação antiestrogênica significa diminuir a ação do hormônio “estrógeno”, relacionado ao desenvolvimento de alguns tipos de câncer, como o de mama.
Pesquisadores (HAGGANS et al., 2000) verificaram diminuição de fatores cancerígenos em mulheres menopausadas com o consumo diário de 10g de linhaça, por 2 meses.

FIBRAS ALIMENTARES
            A linhaça possui alto teor de fibras, representando 28% da sua composição.
      O adequado consumo de fibras pode prevenir diversas enfermidades, incluindo alguns tipos de carcinomas, em especial os que afetam o intestino.

VITAMINA E
            A ação antioxidante desta vitamina é associada à prevenção do câncer, doenças cardiovasculares e desordens neurológicas degenerativas como Alzheimer.
            Lamson e Brignall (1999) demonstraram que as vitaminas E e C são capazes de inibir o crescimento das células malignas de câncer de mama in vitro.

2 colheres de sopa de semente de linhaça (60g ) quase suprem as recomendações diárias de vitamina E.



            É importante ressaltar que nenhum alimento de forma isolada tem a capacidade de prevenir ou tratar qualquer tipo de doença, e que a adoção de hábitos de vida saudáveis, além da prática da atividade física são componentes indispensáveis à manutenção da saúde.

            Na próxima postagem trarei algumas questões mais práticas sobre este maravilhoso alimento.



Referências:

GOMES, I.F.; FRADE, R.E.; MOURA, A.F.; POLTRONIERI, F. Papel dos compostos bioativos da linhaça (Linum usitatissimum L.) no câncer. Nutrição Brasil - janeiro/fevereiro 2012;11(1)

Haggans CJ, Travelli EJ, Thomas W, Martini MC, Slavin JL. The effect of flaxseed and wheat bran consumption on urinary estrogen metabolites in premenopausal women. Cancer Epidemiol Biomarkers Prev; 9:719-25, 2009.

Lamson DW, Brignall MS. Antioxidants in cancer therapy; their actions and interactions with oncologic therapies. Alt Med Rev;4:304-29, 1999.

Lichtenthaler AG. Efeito comparativo de dietas ricas em linhaça marrom e dourada no câncer de mama. [Dissertação]. São Paulo SP: Faculdade de Saúde Pública; 2009.